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Doenças tratáveis com cannabis medicinal

A utilização terapêutica da cannabis, especialmente do canabidiol (CBD), tem conquistado crescente relevância na medicina contemporânea, impulsionada pelo avanço de estudos científicos que atestam sua eficácia no tratamento de diversas patologias.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Canabinoides (BRCANN), o volume de produtos comercializados em 2023 registrou um aumento superior a 200% em relação ao ano anterior, evidenciando não apenas o crescente interesse da população, mas também a ampliação da aceitação por parte da comunidade médica quanto ao uso da substância para fins terapêuticos.

Diversas pesquisas científicas têm demonstrado os benefícios do uso medicinal da cannabis, com ênfase em quadros clínicos de natureza neurológica, psiquiátrica, dermatológica, autoimune e oncológica.

O canabidiol (CBD), um dos principais compostos não psicoativos extraídos da planta, tem sido especialmente estudado como potencial agente terapêutico no tratamento da epilepsia — notadamente em crianças acometidas por formas raras e refratárias da enfermidade.

Estudos preliminares sugerem que o CBD pode contribuir significativamente para a redução da frequência e intensidade das crises convulsivas. Um exemplo emblemático é o estudo publicado no New England Journal of Medicine, no qual crianças diagnosticadas com a síndrome de Dravet — uma forma grave e rara de epilepsia — apresentaram significativa diminuição na incidência de convulsões após o uso do canabidiol, em comparação com o grupo placebo.

Embora o mecanismo de ação do CBD ainda não esteja totalmente elucidado, as evidências indicam que sua atuação se dá por meio da modulação dos receptores de serotonina e do sistema endocanabinoide cerebral, ambos envolvidos na regulação da atividade elétrica e na excitabilidade neuronal.

Além da epilepsia, diversas outras condições clínicas têm demonstrado melhora significativa nos sintomas com o uso de derivados da cannabis, tais como:

   (i) Ansiedade – O CBD atua na regulação dos efeitos ansiolíticos, promovendo relaxamento e reduzindo a necessidade de ansiolíticos tradicionais; (ii) Depressão – Contribui para a diminuição da tensão, relaxamento muscular e alívio do esgotamento mental; (iii) Alzheimer – Pode retardar a progressão da neurodegeneração e aliviar distúrbios comportamentais associados; (iv) Autismo (TEA) – Estudos indicam melhora na interação social e redução de sintomas como ansiedade, irritabilidade e hiperatividade; (v) Transtornos alimentares – Auxilia na regulação do apetite e pode ser eficaz em quadros de anorexia ou perda de peso associada a outras doenças; (vi) Câncer – Utilizado no controle de náuseas, vômitos, dores e inapetência provocadas pela quimioterapia; (vii) Diabetes – Diminui a resistência à insulina e auxilia no controle da glicemia.

   Cabe destacar que o uso da cannabis medicinal deve ser prescrito por profissional de saúde habilitado, com base em avaliação clínica individualizada. Nos casos em que se faz necessário o cultivo da planta para fins terapêuticos, é possível pleitear autorização judicial por meio de habeas corpus preventivo, motivo pelo qual recomenda-se a orientação de um advogado especializado na área.

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